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Pandemia em Poços: panoramas e desafios



Especialistas, cientistas, biólogos, jornalistas, enfermeiros, cidadãos, todos se questionam quando chegará ao fim a pandemia gerada pelo vírus Covid-19. E, ainda, a que condições chegaremos ao fim. Quantas mais perdas humanas teremos? Como a economia irá reagir? Uma coisa é certa: ter acesso a informação sempre foi essencial e é ainda mais importante nesse momento. Sem a informação, certamente os índices estariam bem piores no Brasil e no mundo. Por meio das notícias nos informamos sobre as formas corretas de prevenção, os estabelecimentos aptos a continuarem funcionando, a situação das cidades próximas, expectativas de vacinas... Por essa razão, decidimos colaborar e também sermos atravessadores de informações. Fizemos um resumo de como está a situação aqui em Poços de Caldas, especialmente nos setores de saúde, educação e cultura.


O primeiro caso de Covid-19 foi confirmado na cidade no dia 20 de março. Na ocasião, uma mulher de 34 anos que chegara recentemente de uma viagem a São Paulo, realizou o teste após apresentar sintomas de gripe e procurar pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local. A transmissão teria ocorrido por meio do contato com um homem, vindo da Europa, que também havia testado positivo para o novo coronavírus. Cerca de 8 dias após a confirmação do primeiro caso, a Secretaria Municipal de Saúde do Município, constatou o segundo caso de Covid-19 no município. Tratava-se de um homem de 75 anos, que estivera no Chile. Diferentemente da primeira situação, em que a paciente passou por um período de quarentena e se recuperou, o homem precisou ser internado em uma UTI e acabou falecendo poucas semanas depois. Essa foi a terceira morte por Covid-19 em Poços de Caldas.


O primeiro óbito foi o de um senhor de 74 anos, que manifestou sintomas gripais após retornar de um cruzeiro pelo Caribe.

Ainda no mês de março, um Comitê Extraordinário Covid-19, foi nomeado através de Decreto Municipal, para a tomada de providências necessárias no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus na cidade. Uma das primeiras e principal determinação adotada (além do fechamento de alguns espaços públicos e a interrupção das aulas), foi a suspensão das atividades de estabelecimentos comerciais, sendo essa última à época, primordial na contenção de casos em nosso município. Apesar de solicitações da Associação Comercial e Industrial (ACIA), para a flexibilização da medida, Poços continuou fechada até o começo do mês de maio.


No início, Informes Epidemiológicos eram divulgados diariamente pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais. Os primeiros boletins eram bastante simples, contendo apenas o total de notificações, os casos suspeitos, descartados e confirmados, além dos óbitos. Em abril, a Secretaria Municipal de Saúde de Poços de Caldas, passou a adotar um novo modelo de Informe Epidemiológico, com maiores detalhes, como por exemplo, casos suspeitos em isolamento domiciliar e número de internações em ala/UTI.


Com a reabertura do comércio, os números de casos confirmados subiram expressivamente. A partir de então, o Boletim Epidemiológico passou a incluir também a porcentagem de leitos de UTI ocupados e a quantidade de testes realizados na rede pública e privada.

Enquanto isso, no setor econômico, o país procura as melhores estratégias para lidar com a situação. Alguns afirmam que devemos manter o isolamento. Outro defendem uma retomada econômica em nome da recuperação. Fato é que a situação como um todo nos desperta vários questionamentos sobre o peso da economia e da saúde.


Em Minas Gerais os números assustam, mesmo diante de uma possível reabertura. Dos 625 municípios contaminados, mais de 50% dos casos estão concentrados nas 20 cidades mais ricas do estado. São em torno de 806 óbitos registrados até agora, sendo 412 destes nos principais municípios, no que se refere à arrecadação financeira.


Com 206* casos confirmados de Covid-19 (*número até o fechamento desse artigo, em 01/07/2020), Poços de Caldas se encontra entre um destes principais municípios de Minas Gerais. À medida que os dias passam, os setores fazem pressão para uma retomada, enquanto os casos aumentam exponencialmente. Antes da reabertura, os casos confirmados não ultrapassavam 25 pessoas, como podemos verificar aqui. Segundo o que se discutiu durante o mês de junho, existe um movimento por parte das empresas em conjunto com a administração pública para oferecer treinamentos e workshops, em busca de uma solução que vá possibilitar o retorno da atividade econômica da cidade.


Em relação à cultura, que já era um dos elementos de constituição da nossa identidade nacional, apresentou outra atribuição importante nessa pandemia. Com o isolamento social, as pessoas buscaram como nunca a arte como distração e aprendizado, enquanto ainda não podiam sair de casa. A classe se modificou e, dentro do possível, exibiu uma nova e valorosa face. No entanto, essa transformação não foi capaz de resolver todos os problemas da área. Pelo contrário, a falta de planejamento e cuidado, sobretudo para com os artistas locais, contribuiu para uma crise jamais vista no setor.


Profissionais como técnico de som, de iluminação, camareiros, auxiliares de palco e produtores passaram e ainda passam por muitas dificuldades.

Em Poços de Caldas, o setor cobrou e apresentou uma carta com dezenas de pedidos exigindo ações efetivas da Prefeitura Municipal frente ao problema. 193 artistas e profissionais da área anotaram suas indicações, que foram recebidas, oficialmente, semanas depois pela Secretaria de Cultura da cidade em reunião realizada na Câmara Municipal.


Em substituição aos editais cancelados – e que aconteceriam entre os meses de abril e junho – a Prefeitura Municipal lançou o edital “Poços Curte em Casa”, uma iniciativa para amenizar adversidades geradas pela pandemia. Dedicado exclusiva à artistas locais, o edital contemplou apresentações e exibições virtuais, como exposições fotográficas e shows musicais.


Nas próximas semanas, nos aprofundaremos sobre como cada área foi afetada, além de atualizar os números e estratégias promovidas no município. Enquanto isso, seguimos nos encontrando (pelas telas e monitores).





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