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O Pedagogo dos Oprimidos

No dia 15 de outubro de 1827, há exatos 192 anos, D. Pedro I lançava o decreto que criava o Ensino Elementar no Brasil, que instituiu as escolas de primeiras letras em todos os vilarejos e cidades do país e, estabelecendo ainda, as condições trabalhistas aos professores e determinando o conteúdo a ser transmitido.


A atribuição do Dia do Professor a esta data se deu 120 anos depois, em 1947, quando um grupo de professores propôs instituir a comemoração em homenagem aos profissionais da educação, bem como na criação de um recesso que visava o descanso de seus alunos.


Mas para além da discussão sobre datas, comemorações e homenagens, a reflexão de hoje é sobre o papel prestado por um educador no Brasil referenciado no mundo todo e conhecido por seu trabalho humanista, criador de um método educacional que pensa no indivíduo, com suas condições, necessidades e dificuldades: Paulo Freire.


No ano de 2012 Paulo Freire foi nomeado patrono da educação brasileira, segundo a Lei nº 12.612, do dia 13 de abril daquele ano. O educador dedicou sua vida à educação e criou um método que tornava a relação professor/aluno mais horizontalizada. Para ele a educação era um processo conjunto e uma troca de conhecimentos entre os indivíduos e não um modelo “bancário” em cujo professor apenas depositava informação nas cabeças dos alunos.


Sua obra é reconhecida no mundo todo, e o fez conquistar 46 títulos de doutor honoris, sendo o brasileiro com a maior quantidade destes. Além disso, seu livro “Pedagogia do Oprimido” é o terceiro mais citado em trabalhos acadêmicos das humanidades, segundo a pesquisa realizada por Elliott Green, professor da Escola de Economia e Ciência Política de Londres, que apontou que a obra foi referenciada mais de 72 mil vezes.

Em 1963, junto a um grupo de universitários, Freire partiu para a cidade de Angicos (RN) para aplicar o seu método de ensino com os trabalhadores do pequeno município. O resultado é visto até os dias de hoje como um feito memorável: o grupo foi responsável pela alfabetização de 300 pessoas em 40 horas de curso. Após os 45 dias em que se decorreram as aulas, os trabalhadores não só aprenderam a ler, como estavam aptos a votar e, além disso, estudaram a respeito das suas condições de trabalho e os benefícios aos quais tinham direito.


O feito atraiu a atenção do então presidente do Brasil, João Goulart, que propôs aos professores a elaboração de um modelo educacional para o país. Este modelo de ensino trazia a alfabetização para o cotidiano dos alunos. A ideia era ensiná-los a ler e escrever a partir das suas realidades, utilizando as “palavras geradoras”. Estas são palavras ideais para se iniciar os estudos e são selecionadas de acordo com questões locais. Para os trabalhadores de Angicos, por exemplo, começou-se o processo de alfabetização fazendo com que os alunos estudassem palavras como “tijolo”, “cimento”, “enxada”, “vassoura”, entre outras, que estavam no seu imaginário, despertando-lhes o interesse pela matéria.


No ano seguinte, em 1964, o país sofreu um Golpe, por meio do qual os militares assumiram o poder e o projeto nunca saiu do papel, além de os educadores envolvidos terem sido exilados sob o pretexto de estarem movimentando massas de manobra. Paulo Freire fora considerado “um dos maiores responsáveis pela subversão imediata dos menos favorecidos”, retornando ao Brasil apenas 16 anos depois, em 1980, com a lei da anistia. O educador, após sua volta, passou a lecionar na UNICAMP e na PUC, morando então em São Paulo. 17 anos depois, em 1997, faleceu em decorrência de uma parada cardíaca, aos 76 anos.


O professor é, até os dias atuais, considerado um dos maiores educadores de todos os tempos e desenvolvedor de um método referenciado em estudos feitos em vários países do mundo como Finlândia, Estados Unidos, Inglaterra, África do Sul, Áustria, Alemanha, Holanda e em Portugal. Entretanto, vale lembrar, que o Brasil não utiliza este modelo como base.

O Dia do Professor é pra ser uma data em que reflitamos sobre o papel do educador para a construção de uma sociedade melhor e mais igualitária. E não haveria como se fazer isso no Brasil sem relembrarmos da importância de pessoas como Paulo Freire, que com seu amor pela educação e seu brilhantismo, trouxe à luz tantas contribuições e seguiu tentando fazer do Brasil um país justo e de todos por toda a sua vida.

Quer saber de onde tiramos isso? Aqui embaixo deixamos algumas das nossas consultas e referências:


15 de Outubro — Dia do Professor – Brasil Escola


As Quarenta Horas de Angicos – Fóruns Eja Brasil


Criticada pelo governo, metodologia Paulo Freire revolucionou povoado no sertão – Repórter Brasil


Entenda quem foi Paulo Freire e as críticas feitas a ele pelo governo Bolsonaro – O Globo


Paulo Freire: como o legado do educador brasileiro é visto no exterior – BBC


Paulo Freire: entenda sua importância para a educação brasileira – Escola da Inteligência


Quem foi Paulo Freire e por que ele é tão amado e odiado – Guia do Estudante


QUEM NÃO É PAULO FREIRE? – Canal Meteoro Brasil

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