• Coletivo Paralelas

"Não envolve somente a causa animal", afirma Gustavo Bonafé sobre a discussão das charretes

Essa matéria faz parte de uma entrevista, dividida em 5 partes, com os vereadores e vereadoras do anteprojeto de lei 7/2019 , que visa proibir a tração animal em perímetro urbano na cidade de Poços de Caldas. Para conferir as outras partes, clique aqui e acompanhe.


Como sabemos, a função dos políticos, dentro de uma democracia representativa, é responder aos anseios da população e gerir questões de interesse das cidades, estados e do país. Podemos considerar que o anteprojeto de lei 7/2019 é um exemplo de como os vereadores e vereadoras devem se organizar em prol das demandas do município.


Ser contra a atividade das charretes, mais especificamente, o uso de cavalos para lazer e turismo, vai muito além da causa da proteção e bem estar animal. Esbarra em questões como trânsito, cultura e trabalhadores. Levando em consideração todas essas variáveis, a população de Poços de Caldas tem demonstrado ao longo dos anos sua insatisfação com a situação atual. Uma prova disso é a enquete realizada pelo G1 Sul de Minas, que propunha a seguinte pergunta: "Você é a favor ou contra o uso de charretes em Poços de Caldas?". Como resultado, cerca de 93% das pessoas que responderam à enquete, se manifestaram contra (confira aqui o resultado da votação).


Esse número é extremamente significante para mostrar que não, essa não é uma pauta que atende apenas a um pequeno grupo de protetores de animais. Igualmente, o anteprojeto de lei 7/2019, pode, e deve, ser debatido em todas as esferas da população.


Na segunda parte da entrevista realizada com a comissão criadora do anteprojeto, falamos com o vereador Gustavo Bonafé (PSDB), que colaborou com sua visão sobre a necessidade de debater esse tema e nos explicou qual a proposta do anteprojeto em relação aos charretistas.



#Enxergandocompalavras: Na foto, o vereador Gustavo Bonafé sentado em uma cadeira e, ao fundo, a plenária da Câmara Municipal de Poços de Caldas


Confira:


Vocês consideram que essa causa interessa a toda a população e não somente a quem defende os animais?

Gustavo: Sim, acredito. A gente pode ver isso pelos questionamentos que são feitos pelos órgãos de imprensa, local e regional, que já fizeram várias enquetes nesse sentido. E a população se manifesta então, acho que no mínimo 85% é favorável a uma transição, uma mudança nessa atividade, pelos apontamentos que já foram feitos nesse sentido.


É uma pauta que não envolve somente a causa animal, ela envolve questões de saúde pública, envolve questões de mobilidade urbana, ela envolve a questão de comércio, de emprego e renda e como que isso é feito, ela envolve questões tributárias e como isso está sendo tratado.

Então acredito que ele é muito mais ampla do que simplesmente a causa animal. Obviamente que a causa animal traz toda a força, todo engajamento para essa pauta, mas essa pauta transcende. Ela entra também no turismo, por exemplo, então, eu acho que é uma pauta que transcende essa questão e, por isso, tem o apoio de outras pessoas.


Como o anteprojeto aborda a questão da realocação dos profissionais que trabalham com as charretes? Há alguma sugestão para reduzir o impacto à população dessa área?

Gustavo: O anteprojeto faz um apontamento, uma sugestão, para que a prefeitura apoie essa transição. Utilizando a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Trabalho, Secretaria de Promoção Social, Secretaria de Educação e outras que possam ser parceiras, no desenvolvimento de um plano para recolocação desses profissionais. Mas é importante dizer, que não é uma obrigação do Poder Público, então, a gente faz essa sugestão entendendo que como gestores, a gente não pode resolver uma questão e criar um outro passivo social. Então, a gente faz esse apontamento como um elemento que tem que ser pensados no desenvolvimento da política pública e deixando a cargo do Poder Executivo, o aceite ou não disso, então coloco de novo que não há uma obrigação do Poder Público isso, mas é possível ter esse entendimento. Mas, acima de tudo, antes a gente deve saber quem é que tá ali, quantas famílias são impactadas, quem são os donos dos veículos que são utilizados, qual que é a verdadeira necessidade que há dentro desse meio, antes de tomar qualquer decisão nesse sentido.


Nos dias seguintes, divulgaremos as próximas etapas dessa entrevista. Acompanhe por aqui e compartilhe a matéria para que mais pessoas conheçam o anteprojeto e participem dessa discussão.



29 visualizações

© 2019 por Coletivo Paralelas. Poços de Caldas - MG.

  • White Facebook Icon
  • White Instagram Icon