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"Eles ficaram muito bravos", afirma Ligia Podestá sobre os charretistas

Essa matéria faz parte de uma entrevista, dividida em 5 partes, com os vereadores e vereadoras do anteprojeto de lei 7/2019 , que visa proibir a tração animal em perímetro urbano na cidade de Poços de Caldas. Para conferir as outras partes, clique aqui e acompanhe.


Um dos maiores problemas encontrados na atividade das charretes é a fiscalização em relação ao cumprimento das normas e a presença de maus-tratos aos cavalos. Não há uma fiscalização momentânea e eficiente. Por exemplo, uma das regras estabelecidas é que cada charretista deve ter pelo menos dois cavalos, para realizar revezamento dos animais. Entretanto, qual a garantia que esse revezamento está sendo feito? Já houveram inúmeros casos de cavalos que desmaiaram de exaustão, cavalos flagrados carregando mais pessoas do que o permitido, cavalos circulando pela cidade com feridas ou estados de saúde debilitada.


Em alguns casos, os charretistas foram punidos com suspensões de alguns dias, sob pena de ameaça de perda da licença para operar a charrete, caso a infração se repetisse. Em outros, nenhuma medida foi tomada. Entretanto, essas medidas são muito aquém do esperado para atos tão graves. Afinal, maus-tratos aos animais são considerados crimes e sabemos que não é mais justificável que animais sofram por razões como exploração visando o lucro. Além disso, mesmo quando não há uma situação explícita de maus-tratos, as próprias condições em que os cavalos ficam não são tidas como corretas e aceitáveis, expostos às condições climáticas, sob sol e chuva, sem nenhum tipo de coberto.


Na quarta parte da entrevista realizada com a comissão criadora do anteprojeto, falamos com a vereadora Ligia Podestá (DEM), que nos contou sobre a maior dificuldade enxergada na elaboração do anteprojeto e a falta de diálogo com os profissionais charretistas.


Confira:


O debate sobre as charretes acontece em nosso município há algum tempo. Quais as principais dificuldades vocês encontraram na elaboração do anteprojeto que proibirá o uso de veículos de tração animal?

Ligia: Então, a maior dificuldade que eu vejo nesse estudo que nós fizemos, foi realmente o relacionamento com os charretistas. Eles ficaram muito bravos, eles ficaram chateados, acharam que a gente estava querendo extirpá-los da nossa convivência e, isso daí fez com que eles tivessem uma má impressão do nosso estudo. Isso realmente eu acho que foi uma coisa bem ruim para nós, porque a verdade é que a gente gostaria que eles não ficassem desamparados ou coisa assim.


A gente quer mesmo é que os animais tenham o trato que a gente espera que eles tenham e que não fiquem fazendo esse serviço que a gente acha que não é legal, e sendo tratados da forma que a gente acha que eles são tratados. Então, isso para mim foi a parte mais difícil.

Eles não querem de jeito nenhum que acabe, então, eles ficam bravos. Eles vieram aqui. Eu não tive problemas, assim, pessoalmente com eles, mas a Ciça teve, de ameaçarem a ir na casa dela, enfim, eu não tive.



#Enxergandocompalavras: Na foto, a vereadora Ligia Podestá sentada em uma cadeira e, ao fundo, a plenária da Câmara Municipal de Poços de Caldas


Houve uma procura da Associação dos Charretistas para reunir e dialogar sobre o anteprojeto?

Ligia: Nós tivemos algumas pretensões de fazer isso, eles até vieram aqui na Câmara, mas assim, de uma forma mais agressiva com a gente. Então eu pessoalmente não participei de nenhuma reunião mais frutífera com eles. Eu penso que eles ficaram muito bravos conosco e aí eles se fecharam e não quiseram muito entender o porquê que a gente estava querendo fazer isso.


Amanhã, divulgaremos a última etapa dessa entrevista. Acompanhe por aqui e compartilhe a matéria para que mais pessoas conheçam o anteprojeto e participem dessa discussão.



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© 2019 por Coletivo Paralelas. Poços de Caldas - MG.

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