• Daniel Chagas

Ter ou não ter: eis a pressão

Atualizado: 10 de Mai de 2019

No próximo domingo (12/05) será o Dia das Mães e por isso no texto de hoje trouxemos uma entrevista com a Isabella Prado, que junto ao seu grupo de trabalho, produziu um documentário sobre a maternidade e a representação feminina enquanto mãe.


O trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social, da PUC em Poços, entitulado "Ter ou não ter: eis a pressão", faz uma precisa reflexão a respeito da maneira como são representadas as mães e, além disso, dá voz a diferentes grupos de mulheres.


#enxergandocompalavras: Caixinhas de presentes ao lado dos DVDs do documentário

- Eu e mais duas das participantes já tínhamos em mente que queríamos fazer um documentário. Não tínhamos muito bem o tema definido de início, mas sabíamos que ia ser algo relacionado com mulher. A orientadora inicial deu algumas sugestões e disse pra pensarmos sobre temas femininos que deveriam ser debatidos, e chegamos nesse tema em um 'brainstom', conta ela.


E como foi o processo? Como vocês escolheram ou chegaram até as mulheres que iriam participar?


O processo foi uma loucura (rs), exigiu muita organização mesmo! Primeiro precisamos fazer a base teórica, não só por ser obrigatório pelo TCC, mas pra gente poder montar a representatividade correta. Então estudamos toda a construção da mulher na sociedade desde a Grécia antiga até os tempo atuais e a partir desse modelos formados socialmente, decidimos quem seriam nossas protagonistas. Para não ficar tendencioso pegamos opiniões de mulheres que não querem ter filhos, as que são mães, e modelos de maternidade que são considerados fora do padrão. Também pegamos a opinião de uma filósofa para dar o embasamento teórico do conteúdo e falar sobre a construção da mulher na sociedade. Sobre a escolha mais especificamente, muitas eram conhecidas ou foram indicadas por pessoas que tinham conhecimento do trabalho. Mas fizemos uma pré entrevistas com umas 4 mulheres que não toparam participar. Elas amaram o tema mas não queriam se expor, fazer o que... Foi ótimo porque nos fez enxergar que é um tema que realmente precisa ser debatido. Não só não ser mãe, mas os vários tipos de maternidade.


Então o documentário traz uma visão de mulheres que são mães e mulheres que não querem ser mães? Tem caso de algumas que não queriam e agora são ou que queriam ser, mas não podem?


Tivemos acesso há muitos casos, conhecemos várias histórias e formas de maternidade, foi incrível o processo em si! Mas lidamos com muitas dores e frustrações, conhecemos histórias de mulheres que tentaram engravidar e não conseguiram, mas imagina pra elas expor essa dor? Não é fácil... Em contraponto eu mesma conversei com uma que já tem mais de 40 anos e não é mãe, não quer ser e é super bem resolvida, amou o tema também e deu super motivação para falarmos do assunto, mas na hora de pôr a cara na câmera não quiseram. Tudo foi aprendizado, nos envolvemos demais com as histórias, nós do grupo chegávamos no fim da entrevistas dizendo para cada uma delas o quanto elas eram maravilhosas por ser quem eram! Além da experiência técnica a humana foi gigante. E sim, o documentário traz essa visão, abordamos também a parte da representação midiática da mulher, nossas protagonistas deram as opiniões pessoais sobre essa representação. Tínhamos perguntas bases e específicas para cada uma delas, mas por fim elas sempre surpreendiam a gente, sério, elas foram incríveis!


E sobre o lançamento do documentário? Vocês fizeram só a exibição no auditório da PUC? Pretendem lançar ele só pra internet ou fazer alguma outra exibição?


Por enquanto foi apenas a exibição no auditório, a nossa vontade é exibir pro mundo e mostrar o quanto essas mulheres são incríveis, e principalmente dar visibilidade de como todas nós somos com as nossas escolhas. Temos muitos planos de continuar com esse projeto, ele nos acrescentou demais e adoramos o resultado final, mas nós integrantes do grupo ainda estamos "pondo a vida em ordem" pós graduação, mas temos planos de retomar o quanto antes a exibição. As pessoas precisam conhecer essas histórias e principalmente pensar sobre esse tema.

#enxergandocompalavras: Grupo idealizador do trabalho frente à plateia presente na exibição do filme no auditório da PUC Minas - Poços de Caldas

Filmes como esse, além de merecer a atenção por ser uma produção local, possuem grande importância em nosso cenário sociocultural e político. E em nome do Paralelas enfatizo a relevância da pesquisa acadêmica que busca soluções para problemas de ordem filosófica e social, como no caso deste documentário, cuja discussão possui um robusto embasamento teórico e busca informações a respeito da representação feminina desde civilizações antigas e comparando-a à atual, fazendo ainda uma forma de avaliação acerca de como essa representação se transformou com o tempo.


"Ter ou não ter: eis a pressão" não possui previsão de disponibilidade na internet, ainda que o grupo diz esperar lançá-lo até o segundo semestre deste ano. Um dos motivos é o fato de alguns festivais exigirem que o filme não esteja publicado para ser exibido. Para saber mais informações a respeito desse projeto, basta curtir a página do documentário no Facebook, onde serão anunciadas suas próximas exibições.


Daniel é formado em Publicidade e Propaganda, aspirante a fotógrafo e editor de vídeos. Não assiste, lê ou ouve nem metade das coisas que gostaria. Deseja muito ajudar a construir um mundo melhor e segue tentando.

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© 2019 por Coletivo Paralelas. Poços de Caldas - MG.

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