• Coletivo Paralelas

É possível reduzir o nosso impacto individual negativo no meio ambiente?


Oi, aqui é a Ju.

Na continuação dessa nossa conversa sobre hábitos mais conscientes, vou apresentar algumas alternativas bem práticas que podemos adotar, e assim podemos ajudar a preservar o meio ambiente. Afinal, isso é uma responsabilidade compartilhada por todos nós que habitamos o planeta Terra. Governos e empresas possuem uma responsabilidade maior, mas nós também precisamos entender qual é a parte que nos cabe.

Ao falarmos sobre mudanças de hábitos para termos um estilo de vida mais sustentável, precisamos entender que o importante é começar, seja pelo ponto que consideramos mais fácil, pelo que se encaixa melhor na nossa rotina ou ainda o que consideramos mais simples.

Mas, para começarmos nossa reflexão é importante termos consciência de dois pontos muito importantes quando o assunto é adoção de hábitos mais coerentes com a realidade. Primeiro, viver é impactar o meio ambiente. Para nos alimentarmos, para nos vestirmos, para construirmos nossas moradias. De maneira geral, tudo aquilo que representa uma necessidade básica para o ser humano sobreviver, implica em um impacto no ambiente em que ele vive. A questão é procurar reduzir esse impacto e até mesmo impactar positivamente com ações de preservação e auxiliando na regeneração da natureza (que é possível, desde que nos conscientizemos da nossa dependência com relação a ela). Segundo, a busca pela sustentabilidade é constante e é um processo. Processo esse que envolve a desconstrução de um modo de pensar, de viver, de olhar para tudo ao nosso redor. É desconstruir todo um modo de vida que naturalizamos, porém que representa uma ameaça à vida no planeta como a conhecemos atualmente.

No nosso dia-a-dia, em nome da praticidade, vemos com muita naturalidade várias coisinhas que, juntas, representam um enorme impacto negativo para o meio ambiente, mas que ao serem consideradas tão normais, nem pensamos sobre. Um bom exemplo disso é a questão dos plásticos de uso único. Veja bem, o plástico em si, é uma invenção incrível. Um tipo de material altamente durável, de baixo custo, que pode ser usado na fabricação de muitos produtos. Mas justamente por ser durável é que ele se tornou um grande problema, quando tratamos da pauta ambiental. Um material que não se degrada facilmente sendo usado para embalagens que só servem para o transporte de produtos do local onde compramos até as nossas casas, onde serão descartados, ou ainda para utensílios que serão usados apenas uma vez. Isso faz sentido?

Mas você pode dizer “E a reciclagem?”.

A realidade é que não temos garantias de que tudo o que separamos para a coleta seletiva será reciclado, pois alguns tipos de materiais, por não serem economicamente viáveis para serem reciclados, acabam indo parar nos aterros e lixões. E em alguns casos, muitas vezes, esse resíduo nem chega a ser coletado na coleta seletiva devido ao descarte incorreto.

A grande questão é que todo esse resíduo que não é reciclado, acaba indo parar na natureza, podendo vir a ser ingerido por animais, ou então poluindo as águas dos rios, solos, etc. E quando se trata do plástico, é importante sabermos que, com o passar do tempo, ele começa a se degradar, vindo a se tornar partículas minúsculas chamadas de microplásticos, que já podem ser encontradas nos organismos dos animais, na água que consumimos, nos alimentos e até mesmo no ar. E ainda não sabemos exatamente qual o impacto para a nossa saúde, desse plástico todo em contato com o nosso organismo.

Entendem qual é o problema disso tudo, e por que não faz sentido algum usar esse tipo de material em embalagens e utensílios descartáveis?

Essa questão é bastante complexa, pois envolve toda uma estrutura de um sistema que funciona de determinada forma há muito tempo, e também a mudança da mentalidade das pessoas, que precisam entender que a praticidade pode estar vindo a um custo alto demais.

Sabendo que pode ser difícil imaginar uma vida diferente com mudanças de hábitos já tão arraigados, vim trazer alguns exemplos de ações que podem ajudar nessas mudanças.

- Compras a granel. Quando compramos a granel, temos a opção de levar nossas próprias embalagens e potes. Basta pedir para o atendente colocar no seu próprio recipiente. Alguns lugares já estão habituados a essas práticas, portanto não tem problema algum.

- Levar os próprios saquinhos reutilizáveis (podem ser de tecido ou redinhas) para comprar suas frutas e legumes. Basta explicar a quem te atende que você não quer levar sacos plásticos para casa.

- Levar uma ecobag nas compras. Essa já é uma dica clássica, mas não custa reforçar. Dessa maneira, evitamos as sacolinhas de plástico. E já que falei das sacolas plásticas, vou aproveitar para dar uma dica para substituí-las no lixinho de casa (uma vez que, é pra isso que muitas pessoas fazem questão delas). No lixo do banheiro, podemos reutilizar aquele saquinho de papel do pão que compramos na padaria. E na cozinha, podemos começar a fazer a compostagem, para darmos o destino certo ao chamado resíduo orgânico, que são as cascas de alimentos, talos, sementes, etc.

- Levar sempre consigo o próprio copo e talheres. Essa dica é algo que faz muito sentido, se pararmos para pensa, porque assim, conseguimos fazer um lanche ou refeição fora de casa sem usar plástico descartável. E aqui, aproveito para incluir o canudo reutilizável, que também evita o uso daquele canudinho de plástico. Sempre levo comigo o kit que montei, com meu copo retrátil, meus talheres reutilizáveis, meus canudos de inox e de bambu, e ainda um guardanapo de tecido, para evitar gerar esse resíduo também.

- Utilizar panos encerados. Essa dica é para acabar de vez com o uso do plástico filme dentro de casa. Os panos encerados podem ser encontrados nas versões feitas com cera de abelha ou então os veganos.

- Substituir o shampoo e condicionador líquidos por versões em barra. Dessa forma, conseguimos evitar aquela embalagem plástica. Para quem não sabe, cerca de 80% da composição desses produtos na versão líquida é apenas água. Portanto, nas versões em barra encontramos o que realmente precisamos. De maneira geral, preferir cosméticos nas versões em barra são uma ótima escolha.

Essas são algumas dicas para começarmos a ampliar nossa visão e entendermos que podemos fazer escolhas mais conscientes, e ainda conseguir cobrar das empresas ações de preservação e regeneração da natureza.

Dizer não e recusar o plástico de uso único é ainda uma forma de se posicionar, de dizer que não estamos de acordo e não aceitamos práticas que prejudiquem o meio ambiente. E assim pressionamos para que as coisas mudem. Afinal, se o comportamento do consumidor muda, as empresas são pressionadas para mudarem também.

Eu gostaria de deixar claro aqui que essas práticas cotidianas ainda não serão capazes de salvar o planeta da poluição, porque o problema é complexo demais, e envolve o sistema, as empresas e os governos. E que nossas ações não irão mudar isso de imediato. No entanto, modificar o nosso comportamento para que ele esteja alinhado à nossa consciência é uma boa forma de iniciarmos uma grande mudança, que começa no individual mas reflete no coletivo.

Juliane Reis é um ser humano comum em transição para hábitos mais regenerativos. Na construção de um estilo de vida sustentável e mais consciente que impacte positivamente o meio ambiente, ela busca mudar a si mesma, e acredita que isso pode reverberar em todo o seu entorno.


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