• Ana Carolina Branco

E esse tal de veganismo?

No dia 01 de outubro se comemorou o dia mundial do vegetarianismo. A data foi instituída em 1977 pela Sociedade Vegetariana Norte Americana e busca promover o respeito por todos os que escolhem deixar a carne fora dos seus cardápios, ou ainda, a reflexão para quem ainda come carne. Além disso, quem tem acompanhado de perto as discussões sobre as queimadas na Amazônia, já deve ter se deparado com a interligação entre esse tema e o consumo do carne. Em razão disso, decidi falar um pouco sobre o assunto e como ele entrou em minha vida. Se você alguma vez já se questionou minimamente sobre isso, mesmo que de forma pejorativa e negativa, considere se informar mais e ler essa coluna até o final.


Antes de mais nada, vamos entender qual a diferença entre os conceitos de vegetariano e vegano. O termo correto para as pessoas que apenas não comem nenhum tipo de carne é ovolactovegetariano, pois ainda consomem leite e ovos. Já quem não consome, é vegetariano estrito. Por fim, quem não consome absolutamente nada de origem animal e nem compactua com nenhuma forma de exploração, é vegano. Isso quer dizer que, na prática,por exemplo, não compram produtos que foram testado em animais, não apoiam animais serem utilizados em atividades de lazer, como circo, boicotam marcas envolvidas com mão-de-obra com condições análogas à escravidão e assim por diante.


#Enxergandocompalavras: um prato legitimamente vegano, com arroz, lentilha, alface, tomate, cebola e couve refogada. Foto: Vegano Periférico

Me tornei ovolactovegetariana em 2013, após uma razão bem específica: Vick, uma cachorrinha que adotei. Vick tinha cinomose, uma doença gravíssima com alta taxa de mortalidade. Foram muitas madrugadas em claro, gastos e dívidas, pesquisas e consultas. No meio desse processo me perguntei: por que eu estou fazendo tudo isso para salvar uma única vida, mas me alimentava diariamente de outras vidas? Esse foi meu despertar para a causa, levado puramente pela compaixão aos animais. Cerca de dois anos depois fui levada ao veganismo e, aí sim, minha visão se expandiu para todos os aspectos que envolvem essa escolha.


Para esclarecer, antes de qualquer coisa, veganismo NÃO é: dieta da moda, comidas inacessíveis, "extremismo", receitas mirabolantes, coisa de gente fraca ou um lifestyle que dá status. Veganismo é: uma filosofia de vida, uma luta, uma visão de mundo. É pão, arroz, feijão, legumes, verduras, frutas, sementes, grãos e cereais.


Comer carne e derivados de origem animal é sim um hábito cultural extremamente arraigado em nossa sociedade e entendo que seja difícil considerar uma vida sem esses alimentos. O objetivo de falar sobre isso não é tocar o terror, culpabilizar, ser hostil e nem exigir qualquer mudança de um dia para o outro. É meramente informar. E dizer algumas coisas que gostaria que tivessem me dito há anos atrás e que promovam conexões que possam mudar perspectivas.


Há três grandes pilares que fomentam a decisão de se tornar vegano:


#Enxergandocompalavras: mulher depositando um beijo nas costas de um porco que está deitado dormindo. Foto: Santuário Vale Da Rainha
  • Os animais: a razão mais óbvia, porém, ainda pouco falada. Não se trata somente de uma questão de "dó" de como os animais são abatidos. Mas de ética. O veganismo combate o fim do especismo (a crença de que existem espécies que são superiores a outras). Isso quer dizer que compreendemos que todos os seres tem direito à vida e à não exploração. Outro aspecto importante é que quando nos referimos a animais incluímos os humanos e os não-humanos. Logo, da mesma forma que ser vegano quer dizer respeitar as menores criaturas como abelhas e formigas, também representa combater o fim do racismo, do sexismo, da homofobia e de qualquer discriminação entre os seres.

  • A saúde: nesse aspecto aqui pairam muitos mitos e fake news. Hoje, todos os órgãos de saúde de maior credibilidade no mundo reconhecem o veganismo como uma alimentação saudável. É possível obter tudo que o corpo precisa apenas no reino vegetal. Além disso, diversos estudos recentes tem associado o veganismo a melhoras na saúde.

  • O meio ambiente: produzir qualquer alimento gera impacto no meio ambiente, ainda mais, para 7 bilhões de pessoas. Entretanto, comparando a produção de alimentos de origem animal x origem vegetal, a diferença é gritante. Produzir carne exige muito mais espaço, gera muito mais resíduos, poluição e desmatamento, além de proporcionar uma quantidade menor de alimento.

Isso significa que veganismo é o modo de vida perfeito? Longe disso. Como afirmei, existir gera impacto. Mas, dentre os diversos modos de existir, o veganismo tem se mostrado o que gera menos impacto para o mundo, ou seja, o que permite viver com uma maior qualidade de vida, sem violar a vida de nenhum ser e trazendo benefícios próprios.


Há quem imagine que ser vegano é muito caro, por isso, não dá pra ser. Mas essa colocação é equivocada. De fato, produtos industrializados veganos (como "carnes" fake) são caros, pois o nicho de mercado ainda é menor, logo, a produção é mais cara. Entretanto, a alimentação vegana de verdade, aquela que se baseia no que vem da terra, é mais barata. Alimentos de origem animal não são baratos. Um kg de queijo mussarela, por exemplo, não sai por menos do que R$17,90. Enquanto um kg de soja é R$5,50. Um kg de patinho em promoção sai R$19,90. Com esse valor dava para comprar a mesma quantidade de cenoura, batata, melancia, laranja, cebola e ainda sobrava troco. Pode pesquisar, não tirei esse valores da minha cabeça, consultei na data de hoje no folheto de ofertas de um mercado da cidade.


#Enxergandocompalavras: foto de feira de rua, com senhor de bicicleta escolhendo frutas. Foto: Feira de Santa Cecília

O principal aspecto necessário para que uma pessoa comece a adotar esse estilo de vida é a informação e felizmente não falta conteúdo sobre isso. Deixarei aqui alguns canais sérios e que falam de um veganismo simples, popular e real.


Comida Saudável para Todos: Instagram | Blog

Virando Vegana: Instagram

Vegano Periférico: Instagram

Movimento Afro Vegano: Instagram


Esse é um tópico extremamente extenso e nem se eu digitasse por dez horas seguidas o esgotaria. Com essa coluna, eu só queria te convidar a pensar. Em um podcast que acompanho, uma vez ouvi uma frase como: "o que você pensa hoje, você está pensando por você mesmo ou está repetindo o padrão que te ensinaram?". Esse questionamento vale para qualquer hábito e opinião que você tenha. Será que você acredita nisso ou simplesmente nunca pensou muito a respeito e vai só se deixando levar? Será que você come carne com consciência ou simplesmente porque o sabor é bom e não vale a pena descobrir tudo que está por trás dela?


Se quiser debater sobre essa ou qualquer pergunta, me coloco à disposição para conversar. E, claro, o bolo vegano é por minha conta!



Ana Carolina Branco é publicitária na vida de gente adulta. Como vegana e feminista, sonha e luta por um mundo melhor, livre de todas as formas de opressão. É uma otimista incurável e amante de boas prosas.


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© 2019 por Coletivo Paralelas. Poços de Caldas - MG.

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