• Matheus Soares

Coral Santa Luzia e a construção do bem

Atualizado: Mar 13

A arte do canto coral não é recente. Há registros de atividades semelhantes ainda na pré-história, você sabia? Marcada pela união e divisão de vozes, o agrupamento de cantores consonantes ainda é uma bela realidade no mundo. Formatados de maneiras distintas, sempre há por aí um grupo eternizando a prática. Aqui em Poços de Caldas, não é diferente e essa é uma das características culturais que enobrecem a nossa cidade.


Você sabe que uma das missões do Coletivo Paralelas é evidenciar pessoas e/ou projetos que transformam a realidade social da pessoas. É nosso dever também ressaltar ações e iniciativas que tenham como estrutura a construção do bem, seja lá como for. No texto de hoje, constituído de maneira singela, mas verdadeira, você conhecerá o trabalho de Michele Costa, cantora, professora, preparadora vocal e idealizadora do Coral Santa Luzia.

#enxergandocompalavras: foto destacando movimentos com a mão em ensaio do Coral Santa Luzia. Michele Costa, de roupa vermelha, dá as indicações e membros do Coral acompanham.

Michele Costa Damião Aquiyama, nascida em Poços de Caldas, tem como formação o bacharelado em Música – Canto e Arte Lírica pelo Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), sediado em Ribeirão Preto.


Estudou com professores renomados como Ivan Vilela, Fátima Corvisier, Diósnio Machado Neto, dentre outros, e participou de grandes eventos do cenário musical em todo o estado de São Paulo. Especializou-se, também, como preparadora vocal, produtora musical e na arte da regência.


Após a conclusão do curso, decidiu criar o próprio Ateliê de Canto, que ganhou seu nome e passou a preparar vozes amadoras e profissionais. Desde 2015, administra o espaço que passou também a produzir espetáculos musicais pela cidade e região.


Além da extensa carreira musical como cantora, produzindo e participando de grandes festivais pelo país, Michele também se destaca pelo trabalho de regente do Coral do Instituto Pensamento e Vida e do Santa Luzia, iniciativa voluntária e social que idealizou na comunidade onde reside, na região oeste da cidade.

#enxergandocompalavras: foto com integrantes do Coral Santa Luzia. de camiseta preta, cantando para um paciente na cadeira de rodas da Santa Casa de Poços de Caldas. Além das vozes, um violonista acompanha a apresentação.

Com aulas de canto, preparação vocal, dança e expressão corporal, o grupo realiza todas às terças e sextas, ensaios regulares com alunos das mais diversas idades, tudo de forma gratuita e inclusiva. Conta, atualmente, com aproximadamente 25 vozes. O lema do projeto é sempre ajudar as pessoas, pois foi com essa indicação que Michele recebeu o pedido de sua vó para criar um Coral.


Todos os anos, a iniciativa percorre hospitais, unidades de tratamento, asilos e instituições de caridade levando música e alento àqueles que mais precisam. No período do Natal, por exemplo, Michele e Coral Santa Luzia visitam alas médicas da Santa Casa, da hemodiálise e da Unacon (Unidade de Atendimento de Alta Complexidade em Oncologia).


As atividades sociais também estão presentes nos espetáculos que Michele organiza em teatros pela região. Em todos os shows, há arrecadações de alimentos, produtos de limpeza e brinquedos, que posteriormente são doados para projetos da cidade. Recentemente, o Ateliê de Canto Michele Costa tem se destacado pela produção do evento Vozes em Canto – Elis Regina, especial que lotou o Teatro Benigno Gaiga várias vezes desde 2018.


Com uma proposta descentralizadora, o Coral Santa Luzia vem modificando o cotidiano de quem dele participa. De maneira muito profunda, tem se mostrado um espaço de convivência e troca de ideias, auxiliando como ponte para a resolução de problemas pessoais de cada um dos integrantes.

Caetano já havia sugerido que cantar é mais do que lembrar, é mais do que ter tido aquilo então. Mais do que viver, do que sonhar, é ter o coração daquilo. Misteriosa como a mensagem da música, a vida é amiga da arte.


No mês simbólico em que são evidenciadas grandes mulheres e ações significativas por elas geradas, nada mais justo que dedicar esse texto a quem faz o bem a partir do conhecimento que possui e, especialmente, a quem abraça sem julgamentos acolhendo a angústia com carinho e respeito.


Você se identifica com essa definição? Conhece uma grande mulher que desempenha uma atividade louvável? Conte pra gente! Teremos o maior prazer em trazer à tona ações tão dignificantes quanto as do tema desse texto.


Michele Costa tem na música o seu ponto de partida. Também o seu ponto de chegada. Pois é na arte cantada que encontra a saída para os problemas que enfrenta e, sobretudo, para as dificuldades que observa nos outros Michele sente, com o intermédio da música, o suplício daqueles que sofrem e não podem falar. E, resgata, às vezes sem mesmo perceber, a autoestima das pessoas.


Uma mulher movida pelos sonhos e pela incessante buscar de ser o seu melhor a cada dia. Michele encanta e permite ser encantada. A voz, seu instrumento de trabalho, não é só admirável pelo que canta. Também assim o é pelo que fala. Seu carinho e doçura ajuda a alcançar as notas mais altas, mas é hábil também para influir sobre as mais baixas.

#enxergandocompalavras: foto com Michele Costa olhando de maneira carinhosa para uma senhora que deitada sobre o leito acompanha a apresentação do Coral. Ao fundo, há também a presença do Papai Noel.

O Coral Santa Luzia, atividade que para o texto de hoje também passei a acompanhar com outros olhos, oferece despretensiosamente uma dose de distração cotidiano. E contribui, de maneira sólida, na realização de uma arte mais pura que a de cantar. Na matemática da vida, ajudar e ser ajudado resulta em gratidão.


Michele Costa recebe, no próximo dia 20, uma homenagem pelo conjunto da obra na Câmara Municipal de Poços de Caldas.


Matheus Soares é publicitário, formado em Publicidade e Propaganda e apaixonado pela arte da escrita. Tem, entre seus sonhos, a criação de um espaço onde o diálogo seja sempre construtivo e a troca mútua de experiências contribua para um aprendizado político e social. Admira projetos sociais e chora com alguns deles. Faz da emoção seu combustível e percorre a sua estrada lado a lado com o bem.

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