• Coletivo Paralelas

"Como fazer esse turismo de uma forma diferente?", questiona Marcelo Heitor sobre as charretes

Essa matéria faz parte de uma entrevista, dividida em 5 partes, com os vereadores e vereadoras do anteprojeto de lei 7/2019 , que visa proibir a tração animal em perímetro urbano na cidade de Poços de Caldas. Para conferir as outras partes, clique aqui.


Como já vimos, a maior parte da população de Poços de Caldas se posiciona contra a atividade das charretes, entretanto, há uma outra parte envolvida diretamente nessa história, a ponta que financia diretamente isso: os turistas.


Há uma preocupação com a receita arrecada com a atividade das charretes. Entretanto, devemos pensar que não é a tração animal a responsável por atrair turistas para a cidade. As charretes são apenas uma das atividades disponíveis para os turistas que visitam Poços de Caldas. Além disso, havendo uma recolocação adequada dos profissionais charretistas, é possível continuar movendo essa indústria, mas de uma forma melhor para todas as partes envolvidas.


Em um evento realizado no dia 04/06, que contava com representantes da indústria do turismo em Poços de Caldas e com a presença do Secretario de Turismo do município discutiu-se sobre o turismo inteligente e um dos pilares apontados foi o desenvolvimento sustentável. A preocupação ambiental já é uma realidade. Assim como existem turistas que ainda financiam as charretes, existem aqueles que passam longe da atividade e estão preocupados em gastar seu dinheiro com um consumo ético. Você pode conferir mais sobre as discussões apontadas no evento clicando aqui.


Na última parte da entrevista realizada com a comissão criadora do anteprojeto, falamos com o vereador Marcelo Heitor (PSC), que discorreu sobre as dificuldades de implantação e caminhos alternativos para aprovar essa mudança necessária.



#Enxergandocompalavras: Na foto, o vereador Marcelo Heitor sentado em uma cadeira e, ao fundo, a plenária da Câmara Municipal de Poços de Caldas


Confira:


Se o anteprojeto, de fato, se tornar uma lei, qual vocês acreditam que será a maior dificuldade na implantação?

Marcelo: Na verdade nós esperamos a resposta ainda do Executivo, ou seja, como os colegas já falaram, existe todo um trâmite, todo um processo e, nós aguardamos até ansiosamente para que esse projeto possa retornar aqui para casa. Diante de uma aprovação de um projeto desse, acho que a dificuldade, como que você perguntou, acho que vai ser realmente essa adaptação, porque existe uma preocupação nossa com as pessoas que hoje atuam nesse trabalho. Nós entendemos aqui, muitas vezes mal-entendidos, mal interpretados por parte das pessoas que hoje utilizam esse serviço, mas nós temos essa preocupação. Uma das preocupações nossas é justamente com aqueles que hoje talvez trabalham ou dependem desse serviço. Mas, por outro lado nós entendemos e acreditamos que o Executivo, também seguirá a nossa sugestão para que eles possam ser acomodados, de repente, quem sabe às vezes, até na área do turismo ou no novo formato.


Eu acredito que hoje, pensando no transporte turístico existem outras ferramentas que não seriam através da utilização da tração animal. Por exemplo, hoje nós temos aí os famosos tuc-tucs, então, uma opção que, eu como vereador, entendo que possa ser até um turismo muito mais atrativo para nossa cidade.

É um turismo em que a nossa cidade poderá ser um bom exemplo, dar um bom exemplo para as outras cidades que por ventura ainda utilizem deste serviço. É algo delicado, é algo cultural, então precisa ser feito de forma tranquila, de forma respeitosa. Eu acredito que a própria Associação Comercial, através das redes hoteleiras aqui da nossa cidade, tem condição de dar um apoio, suporte para essas pessoas e, quem sabe, até um incentivo, de repente através do financiamento, hoje nós temos aí financiamentos através da Caixa Econômica, que eles possam ter um subsídio para investir nessa mesma profissão, voltando a dizer, de uma forma diferente. Eu acho que é a grande questão, é a grande pergunta né? Como fazer esse turismo? Pensar na nossa cidade como cidade turística de uma forma diferente, mas, eu acredito que existe essa possibilidade e eu espero, particularmente como vereador, que isso possa acontecer.


Desde a proposição, quais são os retornos que vocês têm recebido, da população nas ruas, nas conversas e nas redes sociais?

Marcelo: Existem, na maioria, positivos. Acho que a grande maioria da cidade hoje espera essa resposta. Acho que a população hoje tem nos cobrado, então, eu posso dizer que a maioria, elas são favoráveis a essa interrupção desse serviço dessa forma. Mas, sim, também nós temos desafios. Primeiro por parte daqueles que hoje trabalham diretamente, as outras colegas já relataram inclusive hostilidades, agressões verbais, então, isso é algo que, de certa forma, nos chamou atenção e nos preocupou com certeza. Mas, também entendemos aqui que, enquanto vereadores, nós temos o papel inclusive, de representar a maioria da população. E eu entendo sim, que hoje nós fizemos aqui uma pesquisa, e aliás, já foram feitas diversas pesquisas inclusive, e cerca de 85% a 90% da população pedem o encerramento dessas atividades. E, algo que nós esperamos, caso o Executivo não mande essa resposta, uma alternativa que nós temos também, é que nas próximas eleições a gente apresente esse projeto em forma plebiscito. Algo que aí, nós entendemos que a própria população dará a resposta naquilo que a gente já entende, que hoje já é aquilo que a população pede.


Acompanhe por aqui todas as partes da entrevista e compartilhe a matéria para que mais pessoas conheçam o anteprojeto e participem dessa discussão.



31 visualizações

© 2019 por Coletivo Paralelas. Poços de Caldas - MG.

  • White Facebook Icon
  • White Instagram Icon