• Daniel Chagas

A prosopopeia econômica da pandemia

Atualizado: 16 de Jul de 2020

No início do mês, fizemos um panorama sobre como a pandemia de COVID-19 tem afetado alguns setores de Poços. Porém é necessário agora adentrarmos um pouco mais fundo em cada uma dessas situações para discutirmos onde está a nossa cidade nesse cenário.


Como já adiantamos, no estado de Minas Gerais existe não só uma visão prática e exclusivamente objetiva. Pouco mais da metade do número de infectados e de óbitos no estado estão concentrados nas 20 cidades mais ricas de Minas. Enquanto nas 20 cidades mais pobres, até a última semana, eram apenas 21 casos confirmados da doença.


Há quem diga que estes números mostram uma possível resistência por parte dos municípios mais pobres, ou que o vírus não chegou por lá. Mas se pensarmos a respeito de uma retomada econômica no estado ou no país, é fácil perceber que o dinheiro de repasse é extremamente importante para a economia destes municípios. E, uma vez que estamos discutindo uma alta recessão dentro do estado como um todo, de onde viria esse dinheiro?

Falando agora do outro lado desta régua, estamos entre as cidades mais ricas e, portanto, as com maiores índices de infecção. Até o último boletim, divulgado ontem, segundo a Secretaria Municipal de Saúde havia 302 casos confirmados de infectados, num crescimento de cerca de 7% em relação ao dia anterior, com 287. Com em torno de 19,9% dos leitos de UTI ocupados, a cidade vê nos números considerados baixos uma chance de retorno às atividades econômicas.


No dia 17 do último mês, a Prefeitura, juntamente com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, lançou o chamado Plano de Retomada Econômica, que estabelecia ações para o processo de retomada do comércio, indústria, agronegócio e turismo.


O Plano contém um cronograma para estas ações, com programação de junho a dezembro. Abaixo você pode conferir este cronograma, como divulgado pelo G1 Sul de Minas:

  • 17/6 a 21/06 – Pesquisa com empresários (somente CNPJ);

  • 22/6 a 28/6 – Tabulação e análise dos dados;

  • 29/6 – Workshop 1 – Alinhamento dos objetivos e validação da Matriz SWOT;

  • 1/7 – Workshop 2 – Estabelecimento dos projetos e objetivos de curto, médio e longo prazo;

  • 2/7 a 22/07 Elaboração detalhada do Plano, segmentada por setor;

  • 23/7 – Submissão do plano à aprovação do Comitê Covid-19;

  • Aprovação final;

  • 30/7 – Workshop 3 – Apresentação final do Plano de Retomada Econômica;

  • Até dezembro – Acompanhamento da execução do plano e ajustes.

A ideia é seguir com uma reabertura gradativa, com acompanhamento de perto e uma análise minuciosa por parte da administração pública. Entretanto, não é sempre que se pode contar com a colaboração de todos os envolvidos. Segundo o site da Prefeitura de Poços, desde maio já foram notificados pela Vigilância Sanitária 27 estabelecimentos que descumpriam as regras de funcionamento como estabelecidas pelos decretos municipais. De acordo com o texto veiculado no site:

Dos 27 estabelecimentos notificados, estão: 17 bares, três hotéis, um supermercado, uma loja de conveniência, um restaurante, uma lanchonete, uma boate, uma padaria e uma pizzaria. A multa prevista para estas situações é de 1.350 UFM´S – Unidades Fiscais do Município, o equivalente a R$ 5.737,00 (cinco mil setecentos e trinta e sete reais).

Segundo determinado pelos decretos, o funcionamento de bares é permitido até às 20h; para restaurantes e pizzarias o horário se estende até às 22h; já as lojas de conveniência podem funcionar até às 22h de segunda a sábado, e até às 20h nos domingos. Hotéis não podem receber turistas e apenas estão autorizados a receber quem viaja a trabalho.

É preciso lembrar que existe nestes encontros e nessas medidas de retomada uma resposta ao setor econômico da cidade que pressiona os órgãos públicos pela flexibilização. Com isso, aos poucos a sensação de reabertura se acentua a cada dia, enquanto os números aumentam exponencialmente. E dados os exemplos na cidade – e no país afora - de desrespeito às normas sanitárias e aos profissionais da saúde por parte da população e também dos estabelecimentos, resta nos informarmos e levarmos informação adiante para, numa tentativa de resistência, afirmarmos a necessidade de cumprimento dos decretos. Resta-nos também fazer pressão na administração pública para que nos ouça e não àqueles que hoje a pressionam.


Enquanto lutamos contra a pandemia e contra o vírus, há quem se preocupa com o estado de saúde da economia. Porém se esquecem que ela nada mais é do que um acordo silencioso entre indivíduos de uma sociedade, que aceitam a existência de um mercado, um capital, que tudo pode e controla. Indivíduos estes que, se continuarmos a os ignorar, nem aqui estarão para darem continuidade ao sagrado fluxo do capitalismo.

Quer saber de onde eu tirei isso? Aqui embaixo vou deixar algumas das minhas consultas e referências:


Cidades mais ricas de Minas sofrem impacto maior da COVID-19


Painel Corona Vírus


Poços de Caldas inicia plano de retomada para volta do turismo e outros setores


Prefeitura notifica 27 estabelecimentos por descumprimento de medidas de prevenção à pandemia Treinamento e certificação proporcionaram segurança e valorização aos ambulantes


Daniel é formado em Publicidade e Propaganda, fotógrafo e editor de vídeos. Não assiste, lê ou ouve nem metade das coisas que gostaria, deseja muito ajudar a construir um mundo melhor e segue tentando.

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