• Matheus Soares

À luz da ciência

Um dos pontos que norteiam a pesquisa e extensão é levar para a sociedade todo o conhecimento que uma universidade produz. Professores e alunos têm como dever ético a responsabilidade social e a sugestão de soluções que possam modificar o dia-a-dia das pessoas. É o que propõe universidades preocupadas com a educação de seus alunos e, sobretudo, com a transformação social do mundo.


Um dos objetivos do Coletivo Paralelas é também dar destaque a projetos que ajudam a comunidade. No texto de hoje, você vai conhecer a ideia que Talisson Souza e o professor Luiz Fernando Delboni, do curso de Engenharia Elétrica da PUC Minas, tiveram para transformar a vida de deficientes físicos da Adefip (Associação de Deficientes Físicos de Poços de Caldas).


"O ensino e a pesquisa mudaram minha vida. Sempre tive o privilégio de ser rodeado de bons professores e todos tiveram algo a me ensinar. A pesquisa em meus trabalhos se mostrou a forma mais pura e íntegra de se aplicar, articular o conhecimento e construir uma nova forma de ver e agir no mundo. Pesquisar é traduzir a natureza humana, lembra Souza.

Os pesquisadores da PUC Minas desenvolveram um sistema que hoje faz parte da sala de estimulação visual da instituição. Um painel e uma cortina de luz móvel foram implementadas no local e aumentaram as possibilidades de estímulos visuais dos pacientes. A iluminação melhorou e as atividades realizadas melhoram a qualidade do tratamento.


Um aplicativo móvel foi utilizado para conduzir as funções de cada comando. A percepção das cores, tarefa importante para o desenvolvimento psíquico do paciente, tem que ser estimulada todos os dias, criando conexões neurais para que haja entendimento e, sobretudo, a interpretação correta de suas características.


Em uma reportagem produzida para a revista da PUC Minas, os pesquisadores explicam detalhadamente como o item foi construído. Em linhas gerais, a partir de 48 lâmpadas de LED, foram colocados copos de plástico com celofane colorido. Com o aplicativo em mãos, as lâmpadas são ligadas. Em outra disposição, tubos de PVC apresentam mangueiras de luz que distinguem-se entre cinco cores e são projetadas para que o deficiente possa interagir tocando no material.

#enxergandocompalavras: criança observando painel de luzes. Profissional liga o aparelho por meio de um aplicativo no celular.

Esse projeto, em parceria com a ADEFIP, foi maravilhoso. Primeiro pelo âmbito da pesquisa em si, pois há um grande hiato entre a construção do conhecimento e a sua utilização propriamente dita. Em tecnologia isso se traduz em se elaborar um projeto, mas não se chegar a um produto final. Outro aspecto que nos deixou muito orgulhosos do projeto foi observar nas crianças o brilho nos olhos quando as luzes acendiam, como mágica! Era claro que a automação aplicada havia tornado o atendimento mais dinâmico e produtivo.
Foto: Elisa Erino | #enxergandocompalavras:criança interagindo com fitas de LED coloridas. Duas profissionais da instituição a ajudam na atividade.

Comprar equipamentos semelhantes que sirvam para a terapia de estimulação visual não é uma tarefa muito fácil. A parceria entre a ADEFIP e a PUC Minas possibilita aos atendidos um benefício imenso no que diz respeito ao desenvolvimento visual de uma criança. Resultado da provedora união entre teoria e prática de fato.

Mas, afinal, quanto custou esse projeto? Segundo seus realizadores, o custo final foi de R$200. Na reportagem citada acima, o professor Luiz Fernando lembra que vai se dedicar futuramente a outras ideias que auxiliem pacientes em clínicas de reabilitação. A afinidade interdisciplinar é um dos objetivos do curso de Engenharia Elétrica. Colaborar com a troca de conhecimentos não é só um desejo, mas um objetivo do curso.


O projeto foi publicado na Associação Brasileira de Automação Residencial e Predial. Além dessa ideia, Talisson tem outras pesquisas em andamento na área e lembra que a essência de seu trabalho será sempre o de aliar a ciência com o movimento da sociedade.


É por meio da pesquisa e ciência que chegamos às soluções dos problemas do mundo. Todos eles. Desde o material que compõe a nossa vestimenta ao componente eletrônico dos nossos smartphones, o meio por onde estamos nos comunicando, o remédio para nossa dor de cabeça e, principalmente, na nossa capacidade de não repetir os erros do passado. Tudo é ciência, tudo é pesquisa. Sem elas, estaríamos, ainda, nas cavernas.
Foto: Elisa Erino | #enxergandocompalavras: foto com o professor Luiz Fernando Delboni e o pesquisador Talisson Souza a frente do projeto que idealizaram. Talisson à direita, segura e exibe um smartphone.

Matheus Soares é publicitário, formado pela PUC Minas e apaixonado pela arte da escrita. Tem, entre seus sonhos, a criação de um espaço onde o diálogo seja sempre construtivo e a troca mútua de experiências contribua para um aprendizado político e social.

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